Entrevista Pastor Marco Feliciano PDF Imprimir E-mail
Ter, 22 de Novembro de 2011 10:29

Foto: Fernando Chaves

 

Por Aryana Aragão


O deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) está em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados e já tem diversos projetos com o objetivo de complementar o ensino brasileiro. Entre eles, o que trata da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas brasileiras. Formado em Teologia pela Faculdade de Educação Teológica Logos (SP) e pela Faculdade de Teologia de Boa Vista (RR) e doutor em Divinidade/Artes da Teologia pelo International Seminary Hosanna and Bible School, de Pompano Beach, Estados Unidos, o parlamentar integra as comissões: de Educação e Cultura – CEC; Seguridade Social e Família – CSSF; e de Constituição e Justiça e de Cidadania - CCJC.

PSC - Por que o senhor acha importante tornar obrigatório o ensino religioso nas escolas brasileiras?
Pastor Marco Feliciano -
Porque ensina a criança o caminho que ela deve seguir Em uma sociedade em que 95% diz professar a fé cristã, a base espiritual de uma criança pode gerar um ser humano melhor. A minha proposta não é levar para escolas um ensino religioso voltado para o cristianismo, mas levar os princípios básicos de qualquer religião para as escolas, por exemplo, não matar, não roubar, não levantar falso testemunho, honrar pai e mãe. Isso funcionaria como uma forma de prevenção ao que hoje acontece nas escolas, como aquele ataque no Realengo (ex-aluno que entrou na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, e matou 12 estudantes deixando mais uma série de feridos). Um dia após o ataque, o muro da escola estava cheio de versículos da Bíblia. Por que não usar os versículos antes? Precisamos preparar as crianças, tirá-las da frustração, da depressão.

A obrigatoriedade seria tanto em escolas públicas quanto privadas?
Não. Somente em instituições públicas, pois o governo não tem como fazer tal imposição no currículo das escolas particulares.

O senhor acredita que a propagação do ensino religioso irá influenciar na queda dos índices de violência?
Posso responder isso com exemplos do passado. Venho de uma época em que na escola tinha um momento que fazíamos uma oração. Dessa geração, poucos se perderam, pois a maioria se tornaram pais de família, trabalhadores, pessoas que estão progredindo na vida. Agora vejamos essa nova geração. Temos hoje 90% das cidades brasileiras possuídas pelo crack. E o que a droga faz nas pessoas? Dá a elas uma motivação. Daí, conclui-se que as pessoas sentem falta de algo que as motive. Então quer motivação maior do que a que vem através da palavra de Deus? Com o ensino religioso você consegue colocar uma pessoa de pé, além de levar uma opção a mais pra ela voltar a acreditar que existe uma força superior. A criança precisa entender que não é dona do seu nariz e, assim, não vão confundir liberdade com libertinagem, nem democracia com anarquia. Se cada coisa estivesse em seu devido lugar, com respeito e dedicação, nós teríamos um futuro melhor para o Brasil, com certeza.

Como garantir que a diversidade religiosa seja preservada, levando em consideração que cada indivíduo tem sua crença? O material didático traria conceitos de diversas religiões?
Quando apresentei este projeto, achei que ele não seguiria adiante, mas hoje já está tramitando na Casa. Na Comissão de Educação e Cultura, ele já vem com um pequeno substitutivo pela aprovação. A minha intenção sempre foi levar esse debate para a esfera intelectual, sem dogmas. O ensino religioso não é para provocar proselitismo, influenciando que as pessoas comunguem de uma ou outra fé, mas trazer para o ser humano a cultura que vem desde que o homem é homem. É provado pela ciência que o ser humano precisa se apegar a algo mais forte, maior do que ele. Por isso, as crianças adoram os super-heróis. Então, quando você mostra para a criança que tem um pai no céu, criador de tudo que existe, e que ele ouve suas preces, suas orações, independente da sua religião, isso já se torna uma base de apoio para o ser humano.

Essa obrigatoriedade não vai de encontro ao caráter de um Estado laico?
Não. Mesmo com a obrigatoriedade, apresentei um dispositivo no projeto garantindo que o ensino seja obrigatório em todas as escolas e não ao aluno. Caso ele não queira fazer essa disciplina, poderá optar por outra. O que não pode é a criança ficar ociosa durante o período da aula se decidir não fazer a matéria religiosa.

Em 1996, as disciplinas Educação Moral e Cívica e Organização Social Política Brasileira (OSPB) foram excluídas da grade curricular brasileira. Recentemente, o senhor sugeriu, por meio da Indicação Legislativa 1699/2011, ao Ministério da Educação a volta da Educação Moral e Cívica. Por quê?
Porque a televisão e a mídia já mostram essa necessidade. Ninguém acredita mais no parlamento, nem tem mais respeito por político nenhum, seja vereador, deputado, prefeito, governador. E por que as pessoas não acreditam? Primeiro, porque não sabem nem como votar neles. Fui candidato por São Paulo, mas tinha gente do país inteiro querendo votar em mim e votaram no número 2010 acreditando votar em mim. Então tem gente que acredita que um deputado federal pode receber votos do país inteiro. Enfim, nosso povo não é politizado. O segundo motivo é que a Educação Moral e Cívica nos ensina a base do amor à Pátria. Eu sou capaz de cantar todos os hinos. Já minha filha de 16 anos, acredito que tenha dificuldade de cantar o Hino Nacional, porque as crianças não são ensinadas a isso. Educação Moral e Cívica era a única matéria que falava sobre a pátria. Saiu do currículo por quê? Força da esquerda? Sim, eles achavam que essa matéria estava criando cabrestos eleitorais, fazendo as pessoas convergirem para uma coisa que elas não queriam, mas não é nada disso. A falta dessa matéria só fez com que o brasileiro perdesse o civismo, a moral e a educação. A nossa educação está falida. Moralmente falando, nosso país está desregrado, porque ninguém respeita mais a família e civicamente falando, ninguém respeita o parlamento ou o político. Hoje em dia, tudo que o ser humano precisa obedecer, ele não quer.

O senhor sugeriu também ao Ministério da Educação a inclusão, a partir do primeiro ano do ensino fundamental, de conteúdos de orientação e prevenção contra o uso de drogas. Que tipo de profissional estaria habilitado a ministrar essas aulas?
Qualquer profissional do magistério. A ideia não é pegar a criança pela mão e dizer que ela não vai usar droga. Nós vamos mostrar o que a droga faz de fato, ou seja, ensinar. É claro que esse profissional será preparado para mostrar o que a droga faz com o ser humano. Talvez essa seja uma das matérias mais fáceis de lecionar. Você tem vários recursos para dar uma aula como essa, fotos, vídeos que falam sobre a capacidade de destruição da droga. Essa matéria precisa entrar urgentemente no currículo. O MEC deveria abraçar essa ideia, pois uma reportagem divulgou recentemente que o uso do crack já é considerado incontrolável em 90% das cidades brasileiras. Essa é uma droga cruel, pois acaba com a pessoa em apenas 30 dias. Imagine que você tem hoje uma pessoa normal, que trabalha, e 30 dias depois, você tem um zumbi, que quando é contrariado e não consegue a droga mata quem estiver pela frente, inclusive seus familiares, e ainda rouba qualquer coisa para transformar em droga. Estamos vivemos um estado de calamidade pública e como podemos fazer para ajudar a combater isso? Apenas abrindo clínica de recuperação para cuidar deles depois? Não, é importante trabalhar na prevenção.

Assessoria de Comunicação PSC Nacional



 
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