Haverá uma saída para a crise econômica?

Publicado: segunda-feira , 09 de maio 2016 19:26

Por formação, integro o time dos otimistas inveterados. Acredito sempre na possibilidade de se encontrar a saída correta para solucionar graves crises. Mas, as últimas notícias sobre a economia nacional trazem consigo aquela sensação da perda total do rumo, de termos saído de vez do eixo.

Lamentavelmente, as piores expectativas se confirmaram em relação ao PIB. A economia brasileira fechou 2015 em queda de 3,8%, no comparativo com 2014. A maior retração da atual série histórica do IBGE, iniciada em 1996. De fato, foi o pior desempenho desde 1990, quando o recuo chegou a 4,3%. O IBGE afirma que esse resultado vem da “deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo de todo o ano passado”.

A crise afeta todos os brasileiros, porém, a diminuição da renda familiar, o aumento do desemprego e da desigualdade de oportunidade agravam, sobremodo, a vida dos mais pobres. A comemorada redução da pobreza pelo governo do PT resume-se agora à propaganda oficial e aos jornalistas nutridos com verbas públicas. O consumo das famílias, por muitos anos indutor do crescimento da economia, recuou 4% em relação ao ano anterior, revertendo o aumento de 1,3% em 2014.

Se para o Brasil a crise representa estagnação de investimentos e crescimento negativo, no Nordeste – e também na região Norte – ela simplesmente paralisou a economia. Dados do IBGE sobre as regiões, na virada de 2014 para 2015, indicavam expansão próxima de 2%. Já para 2015, a retração verificada foi de 3%. O setor de serviços e de construção são os mais afetados.

De acordo com a Federação do Comércio de Sergipe, por exemplo, foram fechados no Estado 625 estabelecimentos comerciais (16,3% do total) em 2015, maior alta da região Nordeste – em segundo está Alagoas, com menos 15,7%; e em terceiro Pernambuco, com 13,3% das lojas fechadas. Quando o varejo fecha portas, a baixa atividade econômica se ramifica pelos demais setores.

Em resumo, se hoje sofrem com desemprego e queda na renda familiar, no médio prazo os trabalhadores ainda terão de arcar com as consequências da atual crise. Como a dívida pública tem crescido em relação ao PIB e o governo mostra-se incapaz de lidar com ela [a não ser através do aumento de impostos], a tendência é de mais deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo deste ano e, caso não haja uma solução, também do próximo.

Embora ainda exista quem não a queira reconhecer em sua exata dimensão, quando se observa a economia como um todo, conclui-se que a crise é bastante real. Não é uma fantasia da cabeça de “golpistas” ou de uma “oposição raivosa”. Os técnicos mais sensatos, inclusive os do Banco Central, já reconheceram isso.

Por conseguinte, a saída proposta pelo governo precisa ser muito clara e objetiva, pois, somente assim angariará o apoio dos brasileiros. Com um plano de corte nos gastos governamentais e o rearranjo de investimentos públicos essenciais. Do contrário, que o Congresso Nacional cumpra o dever cívico de salvar o país afastando a presidente Dilma Rousseff, que a cada dia, para espanto geral, reafirma sua inépcia no exercício da função para a qual se apresentou à Nação.
Por deputado federal André Moura, líder do PSC na Câmara dos Deputados e relator das comissões do Pacto Federativo e Reforma Tributária.

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