CONVÍVIO SOCIAL COM A TERCEIRA IDADE
Texto: Marcos Divino da Silva
Advogado, Professor e Escritor
A consideração com os mais velhos é um traço cultural das sociedades antigas, dos povos indígenas e dos orientais. Talvez por se pautarem nas regras simples da vida e na observação da natureza e não nas exigências da modernidade, como leis de mercado, competição e lucro, reverenciam os idosos como símbolos de sabedoria.
Nas sociedades ocidentais industrializadas, nas quais tudo é descartável e substituível, até mesmo os valores, os idosos se tornaram sinônimo de inutilidade. São tratados como peças obsoletas, dentro da engrenagem capitalista, como produtos fora de linha, algo reservado à lata de lixo e ao ferro-velho.
Atualmente o descaso e o desprezo os excluem da sociedade, que os julgam improdutivos. É comum encontrar idosos abandonados e ignorados dentro da própria família. Esta rejeição na maioria das vezes o considera um estorvo dentro do lar. As famílias exauridas na estressante luta pela sobrevivência, buscam nos asilos a solução para o “incômodo” doméstico.
A velhice sempre é vista como um período de decadência física e mental. É um conceito equivocado, pois muitos cidadãos que chegam aos 65 anos, já que esta é a idade oficializada pela Organização das Nações Unidas, ainda são completamente independentes e produtivos. Acreditamos na decadência sim, mas da sociedade que perde, não dando valor ou criando espaços adequados para as necessidades de nossos velhos.
A população idosa, em nosso país, cresce a cada dia e com ela as dificuldades e as necessidades de adequar soluções eficientes, junto aos órgãos públicos, com o objetivo de tornar digna a vida dos nossos idosos. Essa população que vem aumentando acentuadamente, não é, na maioria das vezes, reconhecida pela sociedade, até mesmo pela sua família, sendo vítimas de um relacionamento social impregnado de preconceitos.
Nos últimos tempos, alguns benefícios foram criados para a terceira idade como política compensatória. No entanto, iniciativas como reservas de lugar no transporte coletivo, prioridade no atendimento em agências bancárias e vagas cativas em estacionamentos públicos não representa mais que migalha para quem trabalhou e produziu pelo bem-estar da geração emergente.
A busca de uma vida com qualidade e o não aniquilamento da capacidade de amar, compreendendo-se o preenchimento das carências no que tange à afetividade e às expectativas de cada um, esta é a grande alavanca do bem-estar, da felicidade e, conseqüentemente, da longevidade.
Portanto, há de se compreender melhor as situações enfrentadas pelos idosos, a fim de amenizarem os descasos inerentes à terceira idade. Pois preconceitos, exclusões do meio produtivo e perdas afetivas, vêm em decorrência da idade avançada e das perdas biológicas e sociais. Assim, mudando essa realidade e passando a proporcionarem melhores condições de vida.