“Com único imposto o grande vencedor é o pagador do tributo”, diz Paulo Rabello em sabatina na ISTOÉ

Publicado: quinta-feira , 28 de junho 2018 9:54

Paulo Rabello de Castro, pré-candidato do PSC à Presidência da República, participa nesta segunda-feira, 25, de sabatina na redação de ISTOÉ. Rabello de Castro, que também é economista, deixou o comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em abril para ser candidato nas eleições deste ano.

Ao ser questionado sobre suas ideias para conduzir o País, o economista afirmou que um único imposto para cada tipo de natureza de tributo é o caminho. “Se a natureza da tributação é a renda tem que ter um único tributo, não inventar contribuição social sobre imposto”, afirmou. “Com uma única legislação nacional reunindo todos as tributações, distribuindo automaticamente e de modo neutro à União, aos Estados e aos Municípios teremos um país cujo o grande vencedor é o pagador do tributo”, disse.

Na sabatina, o candidato apresentou seu plano de metas. Abaixo, os principais temas abordados por Paulo Rabello.

Simplificar o governo, tornar esse governo de fato legitimado pelos interesses de quem paga a conta é nosso interesse. Hoje a gente paga mais pelo condomínio do que o aluguel. O povo brasileiro está largado, mas todo dia 30 ele é lembrado para pagar impostos. O trabalhador que ganha até R$ 5 mil reais estará isento do Imposto de Renda, porque ele já paga o imposto no consumo. Isso não significa extinguir secretarias operacionais, cuidar da arrecadação como faz o Ministério da Fazenda, cabe dentro de um único ministério “planejamento e fazenda”. Você planeja a arrecadação e então você vê o gasto e a receita, como eu faço na minha casa e você faz na sua.

Alianças políticas

Temos conversado com todo mundo que nos procura. Mas não adianta nada eu fazer uma coalizão sem ter na mão uma proposta e nesse sentido estamos fazendo uma política inovadora porque não sou originalmente um político. Eu me dou bem com eles e só vou governar bem me relacionando com eles.

Reeleição

Quando se constrói um plano com base para 8 anos já se demora mais 4 anos para entregar os resultados. Eu fiz o que tinha q fazer no IBGE em 11 meses. Era uma missão impossível rodar o censo agropecuário, ainda mais com o governo cortando a verba, fui deixado no limbo, fui buscar em emenda parlamentar meios para fazer o censo. Consegui e ainda economizei R$ 800 milhões de reais. A maneira de fazer era custosa. A dificuldade transformou o censo no mais objetivo que já foi feito. Fizemos, saiu, está feito, e gastamos R$ 800 milhões a menos. Qual o truque? É botar um tigre correndo atrás de você. Esse tigre é o povo. O povo tem que colocar o tigre atrás dos políticos. Temos que correr porque o Brasil já perdeu muito tempo.

  Teto do gasto público

Controlar o teto do gasto público não é suficiente para equilibrar a questão de ter um orçamento que atenda as demandas sociais e ao mesmo tempo economizar a verba pública. Como vou fazer para não gastar tudo no custeio? A meta 20 do nosso plano de metas carrega isso, é a revisão constitucional. Trata-se de um conjunto que envolve a corrupção e a maior corrupção de todas é o desperdício. É preciso gestão.

Programas sociais

Terão de ser aperfeiçoados. Ao analisarmos um a um vamos descobrir que deve ter desvio, desperdício. Sou favorável aos programas sociais, mas de uma forma diferente. O centro no nosso plano de metas é distribuir a propriedade, a autoestima, criar valor na mão desse indivíduo. E não tem um brasileiro que não podemos dar esse choque de enriquecimento. Proponho riqueza na mão das pessoas. Se a posse precária do seu barraco tiver um título definitivo, já está valendo, criei valor na mão desse cidadão, dei um CEP a ele. Ou ainda a ideia da conta poupança previdenciária. Ou ainda entrar no SUS como cliente, com cartão, prontuário eletrônico. Acho que isso tudo agrega mais que a vertente assistencial.

MST

Não confundir a legalização de uma propriedade que um dia foi ocupação e que se consolidou. O Brasil tem que reprimir o crime da invasão. É preciso entender o fenômeno social do MST

Pena de morte

Defendo o bandido na cadeia e prisão perpétua com trabalhos para pagamento de indenização a vítima. O Partido Social Cristão defende a vida. A melhor maneira de darmos um exemplo, uma correção exemplar, é fazer com que um homicida perca sua liberdade. Precisa haver trabalho na cadeia, o Brasil precisa entrar na pedagogia do trabalho, o trabalho acaba com a corrupção.

Problemas na justiça do presidente do partido, Pastor Everaldo

Acho que a lei é para todos. Não devemos em nome da ampla defesa especular. O Pastor Everaldo e qualquer um do nosso partido deve estar preparado para responder qualquer questionamento da Justiça.

Violência

Pretendemos reduzir em 60% o número de homicídios, o que é uma meta ousada.

Forças Armadas

As Forças Armadas têm um papel fundamental que é a preocupação com a integridade territorial e a defesa contra eventuais inimigos externos. Por sorte nossa temos vizinhos que desde o século retrasado, com a Guerra do Paraguai, não apresentam nenhum problema. Faremos de tudo para que essa irmandade, essa União Sul-Americana se fortaleça. Defender o território fazendo com que todos participem.

Questão dos venezuelanos em Roraima

Quem é irmão se ajuda. E nós somos irmãos dos venezuelanos. O que se passa na Venezuela é interesse nacional do Brasil, não para interferir nos assuntos internos, mas para ajudar. Do ponto de vista político teríamos que ter uma atenção muito grande e não endossar o estado de exceção que eles vivem, queremos que preservem o plano democrático. O Brasil tem que ser um dos países com um programa de absorção desses nossos irmãos venezuelanos.

Aborto, drogas, casamento gay

São três temas controversos dentro da vida individual, porque cada um tem uma opinião. Nossa opinião partidária é que o que a legislação já estabelece no caso do aborto está mais do que bem contemplado. Também defendemos como partido a família tradicional, porque esse é o caminho que devemos apresentar como exemplo e não como exceção.

Sobre as drogas, só quem não teve um problema de drogado na família é que quer flexibilizar. Como estado podemos tratar de forma dura, porém inteligente. Dependente não é criminoso. A legislação já foi inteligente, descriminalizado porte e o hábito do usar drogas. Temos que tratar a pessoa e trazê-la de volta ao convívio da sociedade de forma que ela não tenha mais que recorrer a essa muleta na vida pessoal. Eu me sinto bem a vontade nesses temas. A maioria da população brasileira está com a gente nessas posições.

Perfil

Mesmo antes do anúncio oficial, Rabello de Castro já vinha intensificando os preparativos para viabilizar sua candidatura à Presidência. À frente do banco que é a maior fonte de financiamento a investimentos no Brasil, ele usou a projeção do cargo para se tornar mais conhecido da população. Com carreira no mercado financeiro, ele tem apenas 1% das intenções de voto, segundo pesquisa do Datafolha.

Rabello de Castro deixou a presidência do BNDES menos de um ano após assumir o cargo. Ele foi nomeado em maio de 2017, em substituição à economista Maria Silvia Bastos, que pediu demissão. Na época, era filiado ao Novo, partido que deixou no início de outubro para ingressar no PSC. Por ser de perfil liberal, a filiação do executivo ao PSC gerou surpresa inclusive no círculo mais próximo de Rabello de Castro. Ele, no entanto, sempre se justificou dizendo estar “bem ambientado”.

A indicação de Rabello de Castro para o cargo máximo no BNDES foi bancada por Temer, de quem é amigo, e desagradou à equipe econômica e ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que defendia um nome do mercado financeiro para o posto. O presidente do banco de fomento ainda comprou brigas públicas com integrantes do governo, como quando criticou a proposta para a nova taxa de juros a ser usada em contratos do BNDES, a TLP (Taxa de Longo Prazo).

Fonte: Isto é

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